Depoimento de uma mãe com gravidez inesperada

“Numa tarde de quarta-feira estava em minhas mãos o resultado de exame que eu acreditava ser naquele momento a destruição da minha vida. Eu aos 23 anos, em meio à graduação no curso de Direito, desfrutando de uma vida tranquila  festas, viagens, tudo que a juventude podia me proporcionar; o que eu faria com uma gravidez inesperada, totalmente fora das expectativas que eu tinha para meu futuro? Não teve outro pensamento na minha cabeça, eu iria abortar, não poderia ter um filho, acabaria com todos meus sonhos, tudo que eu sempre sonhei e almejei não se encaixava com uma gravidez. Então o desespero tomou conta de mim, eu procurei todas as formas de tirar o bebê, remédios, clinicas, tudo de mais absurdo que se possa pensar…  Nada poderia tirar da minha cabeça não abortar, estava certa de que não seguiria com a gravidez.

Em meio aos lugares onde procurei  métodos para abortar, na internet encontrei uma pessoa, que disse me ajudar naquele momento que eu acreditei ser o pior da minha vida.

Eu não namorava, estava sozinha; a gravidez só me trazia pensamentos mesquinhos e vazios, eu iria engordar, perder minha liberdade, iria ser motivo de fofoca na cidade, enfim só via tristeza, não encontrava nada de bom em ter um bebê.

Essa pessoa então me acalmou, a única que conseguiu desviar de certa forma meu pensamento, me indicou um lugar, que mesmo assim na minha cabeça não era a solução do meu problema, então eu continuei com minha busca, mas o tempo passava e o desespero só aumentava, eu me sentia destruída, nada mais poderia acontecer de ruim na minha vida.

Foi quando eu pensava que tava no limite da minha infelicidade, me acontece algo mais horrível ainda, eu perco pra morte uma das pessoas que mais amo na vida, ai o mundo desabou na minha cabeça, a gravidez que eu pensava ser a coisa mais terrível não chegava aos pés da dor que eu senti com a morte daquela pessoa.

Ai acabou minha vida, eu só pensava em me matar eu não iria mais abortar, minha dor era tamanha, que eu já não queria viver, estava completamente perdida, sem razões pra continuar nesse mundo.

Então novamente a pessoa que eu mencionei querer me ajudar, voltou a me falar do lugar, onde eu encontraria apoio, então o que antes estava fora de cogitação, se tornou uma opção.

O lugar era em outro estado, um obstáculo, porque ir onde não conhecia ninguém, poderia ser perigoso, mas eu já me sentia perdida nada poderia ser pior, mas o apoio era verdadeiro, então eu fui conhecer.

Foi então, que encontrei o Lar Preservação da Vida, nome não sugestivo pra quem queria morrer, ou então cometer um aborto, mas o Lar transformou minha mente, meu coração magoado; eu encontrei apoio, atendimento médico, orientação religiosa e o mais importante carinho e amor.

Me senti em casa, como se estivesse com minha família. Juntos, digo juntos porque a minha ajuda veio de um grupo, uma equipe que sem saber trabalharam todos juntos, por minha vida. A equipe que trabalha no Lar, as internas, a estrutura física do local, tudo; uma perfeita união onde eu pensava ser o lugar que salvou a vida de mais um bebê, entre muitos que passaram por lá. Mas não, eu estava errada, eu tive minha filha, me adaptei com a idéia de ser mãe, adaptei minha vida nela, e descobri hoje depois de tudo que passei, que não fazer o aborto e conhecer o Lar, não foi exatamente salvar a vida de mais um bebê. Ver minha filha linda e saudável hoje, e sentir que apesar das dificuldades que eu passei  Deus me deu outra oportunidade na vida, porque quando ela nasceu eu nasci de novo. E o Lar? O Lar não salvou mais um bebê, nem salvou exatamente ela, salvou a mim, salvou a minha vida, e digo ter nascido de novo, porque tenho uma vida antes e depois do Lar.

Além da mudança por causa da minha filha, aprendi a ser uma pessoa muito melhor e a ver a vida de outra forma, aprendi a amar mais as pessoas e descobri que sim, sim, vale a pena viver e ser mãe.”

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